Conheceu o Artur como fisioterapeuta ou a desfilar?
A
desfilar, mas ele já sabia que eu estudava Fisioterapia. Ele era amigo do
namorado de uma amiga minha e ele sabia quase tudo sobre a minha vida mesmo
antes de o conhecer. Mas, nessa altura, trabalhava tanto como fisioterapeuta
como manequim.
E como o conquistou, com andar 'gingado' de
manequim ou com massagens?
Como pessoa (risos)... A minha
maneira de ser, acho, foi o que mais o cativou. O Artur vem de uma família muito
boa. A mãe do Artur é uma pessoa muito inteligente, estudiosa e ele sofreu essa
influência. Mas, no fundo, terá contado um conjunto de vários aspetos.
Qual foi a estratégia que ele usou para a cativar?
Ele é
romântico demais! Nem namorávamos e ele telefonava-me sempre, mandava entregar
em casa flores com uma mensagem a dizer que estava com saudades. O Artur era de
chegar ao pé de mim com uma caixa de bombons, de me ir buscar a casa e sair para
abrir a porta do carro. E nestes anos todos, nunca deixou de ser assim. O Artur
espera sempre por mim do lado de fora do carro e abre-me a porta.
E como foi a adaptação a um país e a uma cultura
diferente?
Sempre tivemos uma mente aberta e queremos absorver
alguma coisa de bom de todos os sítios que conhecemos. Itália foi só
aprendizagem e alegria! Fiz cursos de culinária, trabalhei quatro meses num
restaurante em Cesena, estudei a língua e hoje falo corretamente. Penso no meu
futuro profissional quando o Artur acabar a carreira e, como a Fisioterapia está
sempre a evoluir, para voltar a exercer teria de fazer um novo curso. Optei pela
culinária, porque amo cozinhar. Essa poderá ser uma opção de vida.
Que tipo de homem é o Artur?
É um homem extremamente
tranquilo, calmo, ponderado, pacato, bondoso... É aquele tipo de pessoa que
abraça o amigo... é muito humano. Vive tudo de forma muito intensa, por isso,
quando sofre, o sofrimento é muito grande... se está feliz, a felicidade
transborda... Ele é completamente transparente, não consegue esconder qualquer
tipo de sentimento. Adora receber os amigos e, por ele, a casa estava sempre
cheia (risos).
Sendo uma pessoa que vive as coisas de forma tão intensa, como reagiu o
seu marido à fase final da temporada, quando o Benfica desperdiçou a hipótese de
ganhar três competições?
Com muita tristeza! O que lhe disse é
que esta temporada é para ser lembrada e não esquecida! Para chegar onde
chegaram, todos eles tiveram o seu mérito! Há oito anos que não chegávamos a uma
final da Taça, há 23 anos que não chegávamos a uma final europeia... Eles
sonharam, acreditaram, lutaram e, com toda certeza, trabalharam muito até ao
fim. Mas quando a expectativa é grande a deceção é maior! E as coisas acontecem
no tempo de Deus e não no nosso! Acredito que é uma equipa que está em ascensão,
a melhorar de ano para ano e que estão no caminho certo!
A
crítica e os adeptos colocaram muita responsabilidade em cima do Artur, por
alguns erros em jogos decisivos. Isso deixou-o magoado?
Só posso
responder por mim, pelo que vi e senti! E é tão simples quanto isto: futebol é
um desporto coletivo, quando vencem, vencem todos e, quando perdem, perdem
todos! E todos os que entram em campo estão em prol do mesmo objetivo, que é
vencer sempre!
Voltando um pouco atrás na nossa conversa, quem
são os habituais convidados dos convívios organizados pelo
Artur?
São mais os amigos do clube. Todos os brasileiros, entre
os quais o Luisão, que é o mais próximo, e o Dudu, um grande amigo desde os
tempos de Braga. O Artur não é de grandes grupos, mas os poucos amigos são bons
e ele valoriza bastante essas amizades. Do Luisão, por exemplo, somos vizinhos,
porta com porta, temos filhos da mesma idade, por isso há uma maior
identificação.
E a Karina é uma
mulher...
...forte, que cobra, exigente e faladora, enquanto o
Artur é 'light' demais. Eu sou muito organizada, o Artur é o oposto e passa a
vida a largar as coisas em todo o lado. Ele leva tudo na brincadeira, mas é uma
pessoa muito equilibrada.
Pois é, foram pais em Lisboa.
É verdade. O Artur é um
bom pai e muito apaixonado pelo filho. Ele entra em casa a chamar pelo Luca,
brincam muito os dois. O Artur pega no Luca e atira-o ao ar como se fosse uma
bola, um boneco. É um pai paciente e incansável, mas consciente da
responsabilidade de educar uma criança e por isso é exigente com o filho. Ele só
não dá banho nem muda fraldas. Acho que as mãos dele são demasiado grandes e ele
não tem muito jeito.
Qual é o maior sonho dele?
É ser campeão pelo Benfica.
Ele tem sempre muita fé e confiança na realização desse objetivo. O Artur é uma
pessoa que pensa em futebol de manhã à noite. Ele vive o futebol e a profissão
dele de forma muito intensa. Ele identifica-se na plenitude e revê-se na mística
do Benfica, que é ganhar, ganhar e ganhar. Ele nem se dá ao direito de empatar e
é extremamente exigente consigo próprio. E é curioso que a adaptação dele ao
clube foi muito boa, chegou e sentiu-se muito bem recebido pelos adeptos, pelos
colegas de equipa, dirigentes, pelo clube no seu todo.
Gostavam
de ficar a viver em Lisboa?
Eu coloco essa hipótese. Gosto do
país, de Lisboa, e aqui temos mais qualidade de vida, segurança e paz. Além
disso, foi em Portugal que o Artur teve o reconhecimento que merece. Eu sei o
quanto ele trabalhou e trabalha, a dedicação e o empenho nesta carreira. Ele diz
sempre: 'o guarda-redes não joga sozinho e para um guarda-redes fazer uma boa
exibição precisa da ajuda da equipa.' O reconhecimento, para mim, não tem preço
e, por isso, amo Portugal acima de tudo, até acima do Brasil que é a minha
terra. Nós fomos e somos felizes em Portugal!
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