Este tem sido um verão marcante, mais que não seja pela saída do Miguel
Vítor do Benfica. Foi uma decisão difícil?
Foi, sem dúvida, um
momento marcante na vida desportiva do Miguel. Ele esteve ligado ao Benfica 13
anos, cresceu no clube, sentia-se em casa mas a saída era inevitável. Foi uma
decisão muito difícil sentimentalmente, mas consciente de que era a única
solução possível. Com a continuidade do treinador tornou-se imperativo a saída
do Miguel!
Como era a relação do Miguel Vítor com o treinador
Jorge Jesus?
Não estando presente no convívio diário, não posso
falar com total conhecimento de causa. Penso que era uma relação normal, entre
treinador e jogador, mas algo distante... talvez. De qualquer forma, tendo em
conta as poucas oportunidades que lhe concedeu a saída era óbvia.
É difícil hoje em dia ser português no plantel do
Benfica?
Não sou a pessoa mais indicada para responder a essa
pergunta e não posso falar pelos outros casos. Em relação ao Miguel não diria no
Benfica, porque o Benfica sempre o tratou bem, mas no relacionamento com uma
individualidade, neste caso. Porque, de facto, com este treinador a situação do
Miguel foi difícil... não sei se por ser português - e se fosse argentino, por
exemplo, se seria diferente, - ou simplesmente por não gostar mesmo das
características dele.
Foi difícil para o seu marido gerir aquela
reta final do campeonato, em que nada correu bem, com a vida
familiar?
O Miguel sabe distinguir bem a vida profissional da
familiar mas, de facto, foi um momento difícil de gerir. Apesar de ele não ser
opção e de não viver tudo aquilo em campo, se calhar sentiu mais do que outros
jogadores porque, a bem da verdade, é o clube dele e a casa que o viu nascer.
Foi realmente uma época que podia ter sido de sonho e acabou em pesadelo! Foram
momentos muito tristes.
Pode completar? O Miguel Vítor é...
Costumo dizer que o
Miguel é a melhor pessoa que conheço e a verdade é essa mesmo. Ele é uma pessoa
muito ponderada, nunca viveu grandes excessos, é muito bem formado e educado.
Tem o seu grupo de amigos de infância e outros que ele conheceu no futebol, mas
que são amigos de verdade. É um homem de família! Não vive grandes
excentricidades, tem noção que a carreira de um futebolista é curta e tenta
viver de forma ponderada para no futuro as coisas correrem bem. É de fácil
trato, uma pessoa simples, nunca se deslumbrou e não é especialmente vaidoso,
muito embora goste de comprar umas roupas de vez em quando, mas até nisso é
ponderado (risos). Não gasta muito dinheiro em roupa, vai à Zara e fica
satisfeito. Ele é muito baratinho (risos).
Como profissional da área como define o Miguel enquanto
central?
Já vi muitos bons jogos do Miguel, aliás não me lembro
de um mau jogo que ele tenha feito, mas acho que o melhor dele ainda está para
vir. De qualquer das formas, vejo-o como um central forte, muito possante e um
real perigo na marcação de cantos. Apesar de não ser um central muito alto, é
forte no jogo aéreo, como já provou, e marca muitos golos.
O que faz do Miguel o homem dos seus
sonhos?
Sinceramente acho que foi o início da nossa relação. Não
foi amor à primeira vista, não foi uma paixão efémera, foi algo que nasceu e foi
crescendo calmamente, de forma ponderada e sólida. Eu e o Miguel temos uma
relação fantástica, na medida em que, além de casados, somos o melhor amigo um
do outro. E acho que isso é fundamental para a evolução de uma relação.
Mas o casamento, pelo que sei, também já contou com a presença
de mais um elemento na família, além dos noivos e da pequena
Laura.
Pois é! Estava grávida e ainda não sabíamos. Foi
totalmente inesperado e só começámos a desconfiar em Zanzibar, porque reparei
que estava com uma barriguinha proeminente. Aliás, até senti um bocadinho de
vergonha de ir à praia porque a minha barriga estava exageradamente grande. O
Miguel brincava e fazia festinhas na barriga como se estivesse realmente
grávida, para disfarçar e eu não me sentir tão mal (risos). Quando regressámos,
fomos logo tirar dúvidas e estamos à espera de mais um bebé.
Fora dos relvados, o que faz o Miguel sorrir?
É a
Laurinha! Ele adora brincar com ela e é um pai muito presente. Sabe fazer tudo.
Dá-lhe banho, troca a fralda, veste-a para sair, vai passear, leva-a às compras,
se necessário for, faz a sopa dela ou outra comida qualquer. Se estiver bom
tempo, prepara o saco dela e leva-a à praia... Em tudo o resto, em casa, é um
bocadinho preguiçoso mas à filha faz tudo. Entre os amigos é conhecido como o
homem dos petiscos.
Que sonha o Miguel para a carreira dele?
Acima de tudo,
ele quer jogar e sentir-se útil, que era coisa que não estava a acontecer nos
últimos tempos. O grande sonho, e penso que comum a todos os outros jogadores de
futebol, é chegar à Seleção A. Inconscientemente também sonhará eventualmente
com um regresso ao Benfica em outras condições. Aliás, num futuro longínquo,
porque ele quer cumprir o contrato com o PAOK, mas se essa oportunidade
surgisse, ele não conseguiria dizer que não, desde que fosse bom para ambas as
partes. É o clube do seu coração!
Veja a entrevista na íntegra em Ojogo
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